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Elenice Kulkamp


sábado, 16 de abril de 2011

História da Região a qual pertence o Município de Manoel Ribas




A partir da segunda metade do século XIX, quando recomeça a ocupação branca da região, são freqüentes os relatos sobre a presença de populações indígenas no vale do Ivaí. Os primeiros relatos descrevem a presença de grupos xetá, que foram deslocados rio Ivaí abaixo pelos Caingangs, que começaram a fixarem-se nesta região.
Em 1840 o Barão de Antonina financiou expedição de exploração da região, sendo Antonio Pereira Borges o comandante da companhia exploradora.
A presença de grupos Caingangs no Ivaí está relacionada com a expansão das fazendas de gado nos Campos Gerais e na região de Guarapuava. Daí em diante os Caingangs foram instalando-se nas matas das serras do vale do rio Ivaí, mas ali também passaram a sofrer a pressão das populações brancas que chegavam para ocupar estes territórios.
Na primeira metade do século XIX chegam as populações brancas, constituídas de migrantes poloneses, franceses, alemães e ucranianos para fixarem de forma definitiva no vale do Ivaí.
Pela margem direita do Ivaí vieram primeiro os franceses em 1847, por iniciativa do médico francês, Dr. João Maurício Faivre, sob os auspícios de dona Tereza Cristina, esposa do imperador D. Pedro II, foi criada a colônia Teresa Cristina na confluência dos rios Ivaí e Ivaizinho; em meio a territórios Xetá e Caingangs. João Maurício Faivre, mais conhecido como Dr. Faivre teve apoio, empréstimos e subvenções do Governo Imperial para a sua implantação. Em troca do apoio e subvenções, assumiu compromissos com o governo do império: estabelecer novos núcleos de colonização no prazo de 03 anos; abertura de estrada da colônia para Ponta Grossa e Guarapuava; cuidar da catequese e civilização dos índios que habitam as matas vizinhas à colônia Teresa.
Em Fevereiro de 1855, Dr. Faivre informou ao presidente Zacarias que o trecho da estrada de Guarapuava à colônia Teresa Cristina estava pronto e iria iniciar o segundo trecho, que iria da colônia até Ponta Grossa, trabalho este dificultado pela presença dos índios xetá.
Em 1870, assim que Joscelyn Borba assumiu o cargo de diretor da colônia Teresa Cristina, explorou as redondezas, obtendo informações a respeito da presença de grupo xetá vivendo na sua vizinhança e constata-se a presença de vários grupos Caingangs se fixando em diversas localidades no alto rio Ivaí, entre Ponta Grossa e Guarapuava, nas imediações de Teresa Cristina.
Em 1871 os Caingangs já estão instalados nas imediações da colônia Teresa Cristina. A partir daí eles desenvolveram a política de reivindicar das autoridades a demarcação de suas terras e ajuda material. Joscelyn Borba, então diretor dessa colônia, informou que gastou a quantia de 93$000 na compra de presentes e solicitou mais 430$000 para a compra de ferramentas para os índios dessa localidade, conforme ofício da Tesouraria da Fazenda da província. Do relatório do diretor da colônia de 1871, o presidente da província retirou os seguintes dados: a população branca era de 350 pessoas e havia 67 índios Caingangs vivendo nas proximidades.
Dessa forma, apoiando e incentivando a implantação das colônias estrangeiras, o império praticava uma de suas políticas de ocupação de territórios indígenas no Paraná. O auge desta política se deu no período de 1868 a 1878, quando foram instalados mais de 60 núcleos de colonização estrangeira por toda a província. No caso da colônia Teresa Cristina, foi instalada no ponto mais avançado dos territórios indígenas no vale do Ivaí, a oeste de Ponta Grossa e nordeste da vila de Guarapuava. Apesar de ocupar esse lugar estratégico para a entrada e ocupação das terras do vale do Ivaí, essa colônia não prosperou.
Na perspectiva dos índios Caingangs a ocupação, tanto por colônias estrangeiras como por fazendeiros brasileiros, significava a diminuição constante de seus territórios, de sua liberdade, e modificação de seu modo de vida. Portanto, para os Caingang, no último quartel de século XIX, estava colocada a questão de se opor à conquista de seus territórios pelos brancos.
Em 09/09/1901 pelo decreto n° 08, o governo do Paraná decretou uma porção de terra aos índios Caingangs na margem direita do rio Ivaí entre Teresa Cristina e o rio Corumbataí.
Em 1909, a Lei n° 853, de 22 de Março, aponta para as intenções do governo do Estado no que se trata da questão dos territórios indígenas: agrupar os índios para catequizá-los e civilizá-los, conforme preceitos seguidos no império a partir de 1845 com a instalação das colônias indígenas em todo o país. O governo pretendia mudar a forma de vida dos povos indígenas.
Em 1910 foi criado o Distrito Policial em Pitanga.
Em 1910 o Serviço de Proteção ao Índio (SPI) iniciou os primeiros contatos com os índios caingangs nesta região, até que em 1920 conseguiu instalar-se na comunidade indígena.
A partir de 1912 a região (à direita do rio Ivaí) passou a receber outros colonizadores estrangeiros, entre esses, alemães e poloneses e ucranianos, que fundaram outras colônias, como: Linha Apucarana, Três Bicos, Faxinal de Catanduvas, na época ‘Morska Wola’. Um maior número de ucranianos estabeleceu-se em Imbuia, Rio dos Índios e Saltinho. Os poloneses em Apucarana e Faxinal de Catanduvas. Os alemães, em linha Palmital e Linha Pinhal.
Em 04 de Maio de 1912 o cacique Paulino Arak-xó envia requerimento ao governo do Estado, propondo permuta de parte dos territórios na margem direita do Ivaí por outras terras na margem esquerda do mesmo rio. O governo concedeu, pois intencionava utilizar as terras da margem direita do médio Ivaí para o estabelecimento de núcleos coloniais. Assim os Caingangs garantiram parte de seus territórios na margem direita do Ivaí, que ficou a cargo do cacique Pedro dos Santos, e Paulino Arak-xó conseguiu assegurar, conforme indicação do decreto, terra entre os rios Ivaí, Barra Preta e Marrecas, territórios bem maiores dos que tinham sido demarcados em 1901. No entanto, nem o governo do Estado nem o SPI fizeram a demarcação dessas terras.
A colônia Federal de Cândido de Abreu teve início em 1915, formada por colonizadores brasileiros, alemães, ucranianos e poloneses. Teve como primeiro administrador geral o representante do Governo Federal, o Sr. Ferdinando Malanowski. Pelo decreto n° 15.919, de 04 de Janeiro de 1919 foi criado o Núcleo colonial ‘Cândido de Abreu’, pertencente ao Município de Tibagi e passou a ter como Inspetor subordinado a Tibagi, o Sr. Ernesto Ramos. O nome foi em homenagem ao engenheiro civil Dr. Cândido de Abreu, sendo este colonizador e secretário de obras públicas do estado do Paraná.
Como resultante da não demarcação das terras indígenas às margens do rio Ivaí, houve o sangrento episódio da guerra de Pitanga, em Abril de 1923; noticiado pela imprensa da época. O clima foi de medo em toda a região, inclusive em Guarapuava. O evento de Pitanga envolvendo os Caingangs e populações brancas da região levou o governo do Paraná a elaborar um novo decreto demarcando as terras indígenas no vale do Ivaí. O decreto n° 128, de 07 de Fevereiro de 1924 fez um novo desenho dos territórios Caingangs, diminuindo substancialmente a área definida anteriormente pelo decreto de 1913; e pela primeira vez é citado o número de hectares da área – 36.000 ha. Essa delimitação da área Ivaí permaneceu durante 25 anos.
Em 1924 ficou estabelecido o Distrito Judiciário de Pitanga, subordinado à Comarca de Guarapuava.
De 1926 a 1928, ocorreram surtos de malárias, além da epidemia de tifo, que praticamente dizimou parte da população de Cândido de Abreu; esta foi a principal causa da decadência da Colônia e sua região.
A colônia de Cândido de Abreu tornou-se Distrito Judiciário em 27 de Julho de 1931.
Em 12 de Maio de 1949, os governos da União e do Estado do Paraná firmaram um acordo que diminuiu consideravelmente as extensões das áreas indígenas. Após os anos 50 todo o Paraná já havia sido ocupado, inclusive o norte do Estado já estava dividido em lotes.
Nas primeiras décadas do século XX, uma série de Leis e Decretos do governo paranaense regulamentou as terras indígenas no estado, culminando com as leis editadas em 1949 que definiram as áreas destinadas aos povos indígenas no Paraná.
À margem esquerda do rio Ivaí, também ocupada por grupos Caingangs foi ocupada por contingentes de populações não índias advindas da região de Guarapuava.
Entre os imigrantes franceses, que tiveram a iniciativa de penetrar o sertão do oeste paranaense figuram os irmãos Caillot que, subindo o planalto estabeleceram-se no lugar denominado Boa Ventura na Serra da Pitanga.
Na época os paranaenses Elias do Nascimento e seu irmão Manuel Martiniano de Freitas, com idêntico propósito atingiram a localidade denominada Tigre e nela se estabeleceram. Atraídos pela notícia da fertilidade das terras da região, Antônio Leonel Ferreira, João Pereira e José Martins de Oliveira Melo também se dispuseram a desbravá-la. Com a chegada do primeiro colono estrangeiro na cidade, a região se desenvolveu.
Início da década de vinte, sobem ao Norte, os primeiros desbravadores vindos de Tereza Cristina, numa gleba de 2000 alqueires, requerida do Estado por Fabrício Antônio Getúlio. Desta gleba derivam várias outras e assim na década de 1940 surgia a localidade de ‘Campina Alta, na Gleba Santo Antonio, pertencente à família Lamenha Siqueira. Um dos integrantes dessa família, Dr. César Lamenha Siqueira, juntamente com Edmundo José Hauer demonstrou interesse em edificar uma cidade, tal propósito se evidenciou através de suas iniciativas em promover a abertura de ruas, construção de casas, edificações de uma igreja, dedicada a Santo Antonio e uma escola. Os incentivos ao surgimento de novos estabelecimentos deram a localidade à condição de distrito do Município de Pitanga.
Segundo os produtores rurais mais antigos, em meados de 1940 chegaram na comunidade Vaca Gorda, Município de Pitanga, os primeiros catarinenses alemães, Srs. Antônio Meurer, Walter Buss, Augusto Hermann, Humberto Moira. Alguns vindos de Guarapuava e outros de Santa Catarina. Incentivados por parentes e amigos, vieram atraídos pela fama da fertilidade da terra do Paraná e pela possibilidade de adquirir a terra. Quando aqui chegavam e viam a lavoura de milho, admiravam-se! ‘Caso sério’ tal era a produtividade. A atividade de "safra de porcos" era praticada em Santa Catarina, portanto continuariam fazer o que sabiam. Aliás, era a criação de porcos uma das principais atividades econômicas na época da região centro sul do Paraná, que impulsionava a ocupação das terras. Os Catarinenses vinham primeiro conhecer a região. Então voltavam para Santa Catarina, e trabalhando como arigó (na abertura e manutenção de estradas) como jornal (diarista) juntavam dinheiro suficiente para a viagem ao Paraná; vinham cheios de esperança. Aqui chegando, iam primeiro para a Vaca Gorda arrumar trabalho, geralmente de jornal, até conseguir se estabelecer, adquirindo uma propriedade. Alguns compraram terra diretamente da Companhia Edmundo Hauer, outros compravam de segunda mão, conforme dizem. As condições de pagamento eram: anual, sete anos; caso houvesse frustração de safra (dos porcos) prorrogava-se, para outra safra, sem juros. Havia mesmo interesse em facilitar a compra da terra, para que a ocupação fosse acontecendo.
E assim os catarinenses foram ocupando aquela região, formando várias comunidades; sempre acolhendo os novos conterrâneos que chegavam: no paiol, cama de tarimba, colchão de palha de milho; e convivendo com os mesmos. Era costume dos paranaenses receberem e ser recebido com chimarrão e com o fumo de corda, que se picava na frente do visitante, dando-lhe a palha de milho preparada, para se enrolar o fumo.
Os rapazes que eram noivos, após as condições mínimas aqui, voltavam à terra natal, para casar-se e então vir com a esposa, para cá e estabelecer-se. Também acontecia de vir família inteira, de caminhão. Nisto a propriedade já estava adquirida, embora nem sempre era possível, chegar até a mesma, por falta de estrada. Quando vinham de mudança em caminhão, traziam algumas cabeças de gado, pois aqui não havia para comprar; além de alguns suínos, para cruzar com as raças daqui. Quando chegaram aqui, havia muito mosquito borrachudo. Nuvens de borrachudo, de maneira insuportável; trazia muitos dissabores, às vezes, problemas de saúde, principalmente às crianças.
As famílias não tinham recursos para comprar tecidos para confeccionar roupas adequadas, para se proteger; além de que era difícil achar costureiras. Nessa época alguns começaram a fumar, para com a fumaça se defender dos mosquitos. Após o desmatamento, que os agricultores iam fazendo, para implantar lavoura de milho, foi diminuindo os borrachudos. E foram formando a propriedade. Com o tempo os filhos vieram, a família foi aumentando. Os pequeninos não tinham nem colo, nem berço, mas o cesto. Por perto dos pais, debaixo dos arbustos, na roça; partilhando os sofrimentos e sonhos dos pais.
Não havia estrada na comunidade, apenas picada, então para sair na estrada principal, os produtores iam de cueca. Por causa do capim se molhavam muito; aí quando chegavam à estrada, vestiam a calça. Não encontravam ninguém no caminho. Aquela foi uma época dura, lembra um pioneiro da região. O único imposto que os produtores pagavam era aviação; imposto estadual, anual. Pagava-se com 05 dias de serviços na abertura e conservação de estradas. Um funcionário do Estado controlava o talão de imposto, acompanhamento e verificando os trabalhos, geralmente realizados em mutirão.

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